segunda-feira, 7 de maio de 2012

Próximo, mesmo tão distante

Perdi meu lugar no sofá
perdi meu bom humor
o significado do meu nome
o olhar que nunca vi
a estrela que já morreu.

Perdi meu primeiro amor
meu riso engraçado
meu bolo de chocolate
assim como as escritas diárias
que mesmo eu sabendo que ninguém iria ler eu escrevia.

Perdi... coisas simples e essas que eram as necessárias
então quando vi a lua tão próxima da terra que parecia que ia cair, só o que eu consegui dizer foi: AAAAAAAAAAAAH a lua.
Havia perdido a fala mas quando a encontrei essa se deu por um grito.
Um grito: expressão insana de uma mente perdida quando acha algo inusitado então solta um som.
E assim acabou a noite. Com a lua próxima demais dos prédios e o fim de um longo dia.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Daquilo que ela é, neste exato momento

Nada a descreveria melhor do que aquelas próximas palavras:
"Era para ser um olho com uma imagem na retina. São flores, mas não existe um vaso de flores na realidade. Era como se fosse uma lembrança. É só um desenho sem sentido."
Mas não era. O que a levou àquele momento era muito maior do que só essas palavras, o motivo das flores, do vermelho que faltou no desenho, eram palavras que nunca seriam formadas, sentimentos que viraram rabiscos, simples: era um retrato de si.
Não achou aquilo belo, nem seu professor de matemática achou quando viu que no lugar de contas havia uma córnea, um nervo e flores.
Pediu uma explicação para aquilo e depois de ela dizer aquelas palavras mau feitas Ricardo se interessou pelo desenho.
Acabou a aula. E então um garoto que se sentava no fundo da sala se aproximou e perguntou:
"Mas da onde que veio essa ideia?"
"Não sei. Mas o desenho representa muito pouco do que eu imaginei."
"Representa mesmo uma lembrança?"
"Na verdade é o que a gente não vê mas existe. É o que se sente mas não se explica. Não adianta eu tentar te explicar. Vou estragar o sonho."
E ele se conformou com essa resposta. Ela, quem deu a reposta, não se conformou. E nunca se conformaria. Pois era como fazer algo sem ter um destino. Era como esperar sem buscar. Era o que estava fazendo. Era o que o desenho questionava.

domingo, 29 de abril de 2012

...

Ficou com raiva. Sentimento duro que em qualquer um poderia se expor em lágrimas ou gritos, mas ela guardava sentimentos. Tem tantas coisas para se guardar, fotos, papéis de carta, clips, flores em livros, mas o que ela mais sabia guardar eram sentimentos.

Essa era uma meia verdade, pois nem todos eram guardados, outros simplesmente explodiam pelos ares. Chegavam a assustar.
Um dia adoeceu, precisava de alguém, mas se sentiu sozinha. Como se não tivesse ninguém com quem contar. Foi dessa vez que nasceu a mágoa. Que perdeu confiança em quem pensou que poderia contar. Quem amava. Ou ama.
E guardou mais um sentimento em um lugar de seu corpo. E talvez tudo fosse mais difícil se ela soltasse, dissesse que sentiu falta dele quando mais precisou. Dissesse que aquilo não poderia se repetir.
Quem sabe isso geraria lágrimas. Mas não teria guardado nada.
Nem um rancor. E aí teria espaço para a confiança voltar, assim como amor.
Não que eu entenda algo sobre isso, só sou uma menina que escreve quando não compreende as coisas. Ou quando precisa jogar sentimentos fora, mas não tem onde. É, eu não guardo só flores em livros.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Momentâneo

Suas mãos tinham rabiscos de canetas, de palavras que quem sabe nunca seriam lidas, de escapes da tinta que insistiram em acabar indo para seus dedos. A cara dele estava manchada com alguma cor, alguma cor que parecia ser certa para seu rosto tão sério.
Por de trás das palavras, havia um sorriso. Sorriso de quem está satisfeita, sorriso deixado, por um simples momento. Por trás da pintura, havia um ódio que não poderia ser expresso em palavras e se fosse seria incompreendido.
Assim estavam, duas figura opostas de humor, porque para ela a felicidade durava um período e virou costume ser só um dia, assim se desanimou: O dia já estava para acabar. Mas nele havia um incompreendido medo de ser feliz, pois já fora por um tempo (duas semanas quem sabe, era tanta felicidade que não pareceu ser longo) e quando acabou, nada restou de sorriso. Sentir falta era pior do que não ter antes. Nisso as palavras dela discordavam. Nisso a pintura dele mostrava o que sobrara depois da felicidade.
E foi nisso que se encontraram, ela tinha um sorriso exposto, sem ser mostrado, ele não tinha expressão alguma.
- Você tem manchas na sua cara.
Limpou o rosto, com uma cara de mau-humor.
- Não está ruim. - deu um meio sorriso.
- Sua mão está cheia de rabiscos de caneta.
- Sim. E essa caneta demora para sair.
- Você parece feliz hoje. - ele disse.
- Quem sabe eu esteja.
- Acho que fiz a melhor pintura da minha vida hoje. - ele exclamou.
- Então eu preciso ver.
- Não, essa quero guardar para mim. Desculpe-me.
- Que engraçado isso.
- E o que te deixou feliz?
- De repente eu descobri o que eu queria. E isso era o suficiente.
- Amor?
Ela riu. Não disse nada. Saiu para lavar a mão na sala de artes plásticas, a tinta da caneta, como esperado, continuou na sua mão. E ele foi embora, sem deixar rastros de sentimentos, todos estavam jogados na pintura e o resto na tinta do seu rosto. E quando ela dormiu, só pensou em aproveitar aquele momento de certeza. Felicidade momentânea, não é felicidade, é só um rastro de um sentimento que logo se perderá.

sábado, 14 de abril de 2012

A necessidade da mudança

Ela fugia quando era pequena para perto de seu cachorro e as lágrimas caiam, assim como as palavras que dizia sem se importar de não não ser compreendida. Mas, como todo porém de todas as histórias ela cresceu e aquilo já não era suficiente. Sentia que não era certo as noites em que seus pensamentos eram insuportáveis a ponto de ela não conseguir dormir. Dormia tarde, acordava como se a noite tivesse passado por longas horas. Se lembrou de uma confissão que ouviu, de outro que ela nunca imaginara que se abriria com ela, foi algo assim:
- Sabe o que me incomoda? Minha alergia. Nenhum médico sabe o porquê dessa alergia, mas só sei que quando chego aqui, nesse lugar longe daquelas pessoas da minha escola, minha alergia acaba.
E ela só queria um momento para dizer, depois de anos passados, que estava acontecendo a mesma coisa. Mas ao invés de alergia, suas noites eram perturbadas.
Precisava mudar, mudar sua vida para que assim conseguisse dormir. Mudar não é fácil, escolher o que mudar também não é. Então não digo que ela mudou, pois querer mudar é algo completamente diferente do que a mudança.
- As pessoas se enganam comigo, sabe? Se enganam sempre. Eu comecei a me enganar também. Enganar que tudo está bem do jeito que está. Então, aqui estou eu, sendo um engano. Aqui estou eu, precisando mudar, mas não tendo coragem o suficiente. Não te disse uma resposta completa quando tu me perguntou o que fazer com sua alergia, devia ter dito que te ajudaria a pensar em um ideia. Cansei de enganar todo mundo. Cansei de parecer grande, mas não ser. Sou menor do que antes. Antes, pelo menos, tinha coragem para admitir o erro. Antes eu chorava, agora rolo na cama a noite. Preciso de uma mudança, preciso de alguém que me ajude a mudar.

Disse tudo isso para o nada, mas o que ela não queria era que aquilo não passassem de palavras.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Tempo passa


Eu estava com sono, sentada, com música nos meus ouvido enquanto o ônibus parava nos mesmos lugares de sempre. E foi quando eu percebi que concordava com o que aquele professor de sociologia disse na aula, o fato de nos enxerem de estudo/trabalho para que não sobre tempo para outras coisas.
Como escrever.
Era isso. O dia inteiro aprendendo um monte de coisas que não seriam necessárias daqui a dois anos, com olhos cansados por causa da prova de biologia, com as unhas compridas pela falta de tempo de tocar piano. Dessa forma eu não era pianista.
Quem sabe não fosse alguém.
De choque perdi minha identidade, agora eu não era mais a Elizabeth que gostava de parar um instante do dia pra observar o céu. Eu era somente mais uma das mil que não param um instante para pensar sobre a vida. Não pude continuar assim, mas nesse espaço de tempo o ônibus chegou no ponto e eu corri, quase não vi que eu havia chegado ao meu destino - sim, muito distraída. E foi nesse dia que descobri que tudo tem que ir além de tirar notas, eu devia guardar mais tempo para o que eu gosto. Acho que todos deviam fazer isso.
Pois a verdade que na maior parte dos dias eu estava escrevendo a noite, enquanto deveria dormir. E isso que é a falta de um tempo que é enorme.

p.s. parei de roer unhas (detalhe importante).

quinta-feira, 29 de março de 2012

O canudo...

Queria escrever sobre você
sobre seus óculos que encaixam perfeitamente no seu rosto
sobre o seu jeito calmo de andar,
e principalmente seu sorriso (acho que não existe mais bonito)
E não sei porque te encontrei naquela lanchonete
não tenho o costume de ir lá, quem sabe uma vez em dois meses
só sei que fui pegar um canudo e te vi.
E foi assim que percebi que eu nunca havia reparado em você,
pois quando eu entrei naquele lugar não notei sua presença
foi na ideia de pegar um canudo que vi teu sorriso
seu óculos, sua cara
e imaginei ouvir sua voz contando algo engraçado para a mulher ao seu lado
provavelmente sua mãe.
Esperei um segundo
não tive coragem de dar o último passo para pegar o canudo
assim: como uma medrosa
e então cheguei em casa e percebi que queria escrever sobre você
mesmo que fosse a primeira e última vez.

Talvez você nunca saiba que um dia te vi
mesmo que eu tenha ficado um passo longe de você.
Eu sempre achei essas coisas engraçadas
pois na minha cabeça sempre pensei que quando a gente vê alguém essa pessoa provavelmente também vai nos ver.
Quebrou a minha regra insensata.
E no fim fiquei sem o canudo.